Aliás, é uma dúvida que eu tenho: tá todo mundo contente com a vida ser essa sucessão de dias mais ou menos? Dias absolutamente chatos, em que o despertador toca, você sai da cama contrariado, pra um trabalho que (sejemo franco) você não gosta (ou não liga, na melhor das hipóteses), que não te dá tanto dinheiro quanto você gostaria, que consome mais horas do que você estaria disposto a gastar, de onde você sai pro trânsito e pro supermercado e pra fila no caixa. Onde você compra comidas que você nem gosta, mas são boas pra saúde ou que você gosta, mas vão te matar antes dos 40 com todas as veias entupidas e a pressão na estratosfera. E depois você vai assistir alguma bobagem na TV a cabo, tomar um banho com um sabonete que você nem gosta, escovar os dentes com uma escova que você só comprou porque era azul e vai dormir. Por tédio, por cansaço, porque amanhã você acorda cedo e começa tudo de novo. Tá todo mundo ok com isso?
O primeiro mongol que vier com "pelo menos você tem trabalho, comida e casa" vai ser atingido por um raio. Pelamor, sooo last century essa linha de raciocínio, hein?
Cada manhã em que meu despertador toca, eu penso em treinar arremesso à distância e penso “de novo? Sério? Mais um desses dias iguais?” e aí eu saio da cama e luto contra o meu cabelo, contra a minha alergia, contra a minha (de)forma física causada pela alergia, contra o clima, contra a minha vontade de pegar os poucos dinheiros que eu tenho guardados no banco, comprar uma passagem pro próximo vôo em relação à minha chegada no aeroporto (desde que no ocidente, que eu não sou tão besta), deixar um bilhete dizendo “fui viver, uma hora eu volto” e ir viver de artesanato em algum lugar inusitado.
Um dia eu vou.
( via milarga)
quinta-feira, 23 de junho de 2011
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